O céu sobre a Bulgária
A Lua nas crenças populares e nos costumes do calendário búlgaro
No folclore búlgaro, a Lua é mesechina (“a lua”), a irmã (em ideias mais antigas, o irmão) do Sol, e as pessoas organizavam o trabalho em torno dela. Este artigo descreve o que as fontes etnográficas e folclóricas registram sobre recomeços, a fase minguante, as ervas e a Lua “baixada”. É memória cultural, não um conselho.
Uma só lua, muitos nomes
No folclore, a Lua é mesechina (“a lua”), mesechinka (“luazinha”) ou yasen mesets (“mês brilhante”). Uma publicação dos museus de Burgas diz que ela é a irmã do Sol, mas ideias mais antigas a tornam um rapaz. Em uma canção da aldeia de Varshilo, na região de Strandzha, o Sol vai se casar com uma “moça de além-mar” e convida a Lua para ser kum (o padrinho de casamento). Pavlina Damyanova, curadora de “Cultura Espiritual” no museu de Etar, contou à BTA que, nas ideias populares, a Lua é irmã ou irmão do Sol. Ela percorre o mesmo caminho do Sol, mas num burro, por isso é mais lenta. O “Dicionário da Cultura Espiritual Popular dos Búlgaros” também registra a crença de que a Lua é o espelho de dyado Gospod (“Vovô Senhor”), pelo qual ele observa o mundo.
O que vemos no céu
A astronomia conta o outro lado da história. Na lua nova, a Lua volta para a Terra o seu lado não iluminado e fica invisível. As fases vêm das posições variáveis da Lua em relação ao Sol e à Terra. A sombra da Terra não tem nada a ver com elas, e o eclipse lunar é um fenômeno à parte. Você pode acompanhar fases e datas na página do calendário lunar.
Começos, plenitude e razsip (a Lua minguante)
O padrão mais claro nas fontes é a divisão do mês lunar em duas metades. Os museus de Burgas descrevem o período da lua nova até a lua cheia como especialmente favorável. É o momento de iniciar um noivado, um casamento, a aragem, a semeadura, a colheita e a debulha, de cortar madeira para uma casa, de entrar numa casa nova, de tosquiar ovelhas ou de costurar uma roupa nova. Damyanova acrescenta pôr galinhas para chocar, derramar salmoura sobre conservas, escaldar lã e desmamar uma criança. Ela também relata a crença de que o cabelo cortado na lua cheia cresce mais rápido.
O oposto é o tempo de razsip e usip (a Lua minguante). Começar um trabalho novo nessa fase não é recomendado, porque “não vai prosperar”. Segundo a regra geral apresentada por Ivanichka Georgieva em Balgarska mitologia (“Mitologia Búlgara”), não se começa nenhum trabalho na lua “velha”, enquanto é bom iniciar algo novo na lua nova ou cheia, “para que corra em plenitude”. Os detalhes variam conforme a região e quem conta, então é mais honesto ler tudo isso como várias práticas locais do que como uma lei universal.
Ervas e o Dia de São João
Quanto às “ervas medicinais”, as fontes que encontramos não ligam a coleta a uma fase lunar. Ligam-na a Enyovden (Dia de São João, 24 de junho). Segundo os museus de Burgas, Enyovden é um ponto de virada, depois do qual, na crença popular, o verão começa a caminhar para o inverno. Os coletores de ervas saem ao primeiro canto do galo e vão aos lugares mais remotos, para que ninguém os veja. Acredita-se também no poder mágico do orvalho de Enyovden. O Dicionário da Cultura Espiritual Popular acrescenta que, segundo a crença, a samambaia floresce e murcha à meia-noite da véspera de Enyovden e que as ervas são colhidas então. Por isso não afirmamos nenhuma “regra lunar para ervas”. A astronomia não dá base para prometer resultados de uma coleta por fase, e este artigo não é um guia de ervas.
A Lua baixada
O motivo mais colorido é a crença de que feiticeiros “baixam” a Lua. Segundo os museus de Burgas, isso acontece na hora secreta antes da Páscoa ou de Enyovden. Conforme a crença, ninguém pode ver: quem olhar enlouquecerá ou perderá a voz. O ritual também é descrito: um caldeirão de água e ervas, uma peneira nova, meia-noite. O Dicionário acrescenta que a Lua é transformada em vaca e ordenhada, e uma mancha vermelha como sangue permanece no céu. Segundo a Balgarska Etnografia, o mesmo mitologema era usado para explicar um eclipse lunar. Esta é uma ideia popular. A explicação científica está na página de Eclipses.
Lua nova e destino
A lua nova também trazia expectativa. Segundo Ivanichka Georgieva, a lua nova era recebida com adivinhações sobre casamento. Damyanova descreve a crença difundida de que a Lua determina o destino de uma pessoa e de que crianças nascidas no mesmo mês compartilham o mesmo destino. É uma visão de mundo em que o tempo tem um ritmo e um sinal visível no céu. A astronomia não confirma uma relação causal entre as fases e o destino humano.
Como ler essas crenças
Para nós, elas são um relato vivo de como as pessoas organizavam a vida em torno do calendário noturno mais visível. Não são instruções para hoje. A Astronativa não afirma que a Lua afete colheitas, cabelo ou destino. Os modernos “calendários lunares de jardinagem” são um fenômeno recente e à parte, e não os apresentamos como tradição popular. Para uma leitura mais aprofundada, o Instituto de Etnologia e Estudos Folclóricos com Museu Etnográfico da Academia Búlgara de Ciências é o principal centro científico do país para esse tipo de pesquisa.
Perguntas e respostas
O que são razsip e usip no folclore búlgaro?
São termos populares para o período depois da lua cheia, quando a Lua mingua. Segundo os relatos coletados, não se recomenda começar um trabalho novo nessa fase, porque “não vai prosperar”. É uma ideia popular, não uma afirmação científica.
As fontes dizem quando colher ervas medicinais de acordo com a Lua?
Nas fontes que encontramos, a coleta de ervas está ligada a Enyovden, ao amanhecer e ao orvalho, não a uma fase lunar. Por isso não acrescentamos regras que as fontes não confirmam.
O que significa dizer que feiticeiros “baixavam” a Lua?
É um mitologema popular usado para explicar um eclipse lunar. A explicação científica é outra: a Lua entra na sombra da Terra. Veja a página de eclipses para saber mais.
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- Бургаски музеи, „Месечината и магьосниците“ (Народопамет, обреди и ритуали), без посочен автор
- Бургаски музеи, „Еньовият венец в Етнографския музей е от 77 билки“, без посочен автор
- Павлина Дамянова (Музей „Етър“) пред БТА, по повод суперлуната, чрез Утро Русе
- Павлина Дамянова пред БТА, чрез Debati.bg
- Павлина Дамянова пред БТА, чрез Марица.бг
- Български етнография, „Космогония“, без посочен автор
- Речник на народната духовна култура на българите (ISBN 9789540203379); авторите и годината не са проверени
- Иваничка Георгиева, „Българска митология“ (по текст на chitanka.info; изданието и годината не са проверени)
- Уикипедия, „Институт за етнология и фолклористика с етнографски музей“ (допълнение)
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