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O céu — astronomia

A Eclíptica: o Caminho do Sol pelo Céu

A eclíptica é o caminho anual aparente do Sol entre as estrelas, que na verdade é o plano da órbita da Terra projetado no céu. A Lua e os planetas ficam perto dela porque suas órbitas estão próximas desse mesmo plano.

O que é a eclíptica

Se pudéssemos ver as estrelas à luz do dia, notaríamos o Sol se deslocando lentamente contra o fundo delas. Ao longo de cerca de um ano, ele traça um círculo completo pelo céu. Esse caminho aparente se chama eclíptica. O nome vem da palavra grega para eclipse (ékleipsis), porque os eclipses solares e lunares só podem acontecer quando a Lua está perto dessa linha.

O Sol avança pela eclíptica pouco menos de um grau por dia. É por isso que as estrelas visíveis à noite mudam aos poucos ao longo das estações.

Um reflexo da órbita da Terra

O Sol não gira de fato em torno de nós. É a Terra que gira em torno do Sol. Mas, conforme percorremos nossa órbita, o Sol parece se deslocar contra as estrelas distantes. A eclíptica é, portanto, o plano orbital da Terra estendido até a esfera celeste, a esfera imaginária na qual marcamos as posições das estrelas.

A eclíptica não é uma linha física no espaço. É um resultado geométrico da nossa posição e do nosso movimento. Astrônomos a usam como plano de referência básico do Sistema Solar, e as coordenadas eclípticas (longitude e latitude medidas em relação a ela) são práticas para descrever o Sol, a Lua e os planetas.

A inclinação em relação ao equador celeste

O eixo da Terra não é perpendicular à sua órbita. Ele é inclinado cerca de 23,4 graus, valor conhecido como obliquidade da eclíptica. Por isso, o equador celeste, que é o equador da Terra projetado no céu, tem essa mesma inclinação em relação à eclíptica.

Os dois círculos se cruzam em dois pontos, os equinócios, sobre os quais você pode ler em Equinócio. Quando o Sol passa por eles, dia e noite têm duração próxima. Os pontos mais afastados do equador são os solstícios, em junho e dezembro.

Essa inclinação é o que produz as estações do ano. No verão de um hemisfério, o Sol sobe alto e os dias são longos; no inverno, ele fica baixo e os dias são curtos. A distância do Sol não é a causa principal.

Ao longo de milhares de anos, os pontos de cruzamento se deslocam lentamente por causa da precessão, a oscilação gradual do eixo da Terra.

A faixa do zodíaco

Ao redor da eclíptica, observadores desde a Antiguidade descrevem uma faixa larga chamada zodíaco. Tradicionalmente, ela se estende cerca de 8 graus para cada lado da eclíptica. O Sol, a Lua e os planetas visíveis a olho nu viajam dentro dela.

As constelações que a eclíptica atravessa costumam ser chamadas de zodiacais. Os limites das constelações definidos pela União Astronômica Internacional (UAI) são fixos e de tamanhos desiguais, de modo que a eclíptica passa, na verdade, por 13 constelações, incluindo Ofiúco. Você pode ler mais em Constelações do zodíaco e na explicação de por que existem 12 signos do zodíaco. A UAI reconhece 88 constelações no total; veja as 88 constelações.

Por que a Lua fica por perto

A órbita da Lua em torno da Terra é inclinada cerca de 5,1 graus em relação à eclíptica. Assim, a Lua sempre aparece perto do caminho do Sol, mas não exatamente sobre ele. Ela cruza a eclíptica em dois pontos chamados nodos lunares. Os eclipses ocorrem quando uma Lua nova ou cheia coincide com uma posição próxima a um nodo. Mais em Nodos lunares na astronomia.

Por que os planetas seguem um caminho parecido

Os planetas não estão espalhados em todas as direções. O Sistema Solar se formou a partir de um disco giratório de gás e poeira em torno do jovem Sol. Os planetas se formaram dentro desse disco, por isso suas órbitas ficam aproximadamente em um plano comum, próximo da eclíptica.

A maioria das inclinações orbitais dos planetas é pequena: Mercúrio cerca de 7 graus, Vênus cerca de 3,4, Marte cerca de 1,9, Júpiter cerca de 1,3 e Saturno cerca de 2,5. É por isso que, da Terra, esses mundos aparecem sempre numa faixa estreita ao redor da eclíptica. O planeta anão Plutão é um caso incomum, com inclinação superior a 17 graus, e por isso pode se afastar bastante da faixa.

Ao acompanhar um planeta ao longo da eclíptica, você pode notar um efeito curioso: por algum tempo ele parece andar para trás contra as estrelas. É um efeito óptico causado pelas diferentes velocidades orbitais, descrito em Movimento retrógrado.

Como encontrá-la no céu

Imagine a eclíptica como um arco de leste a oeste ao longo do qual o Sol e a Lua viajam. Se à noite você vir uma "estrela" brilhante e estável perto dessa linha, é bem possível que seja um planeta. Os planetas costumam se alinhar mais ou menos ao longo de um mesmo arco, e uma Lua crescente fina às vezes passa perto deles. Aplicativos de céu e mapas 3D desenham a eclíptica como uma linha, o que ajuda a distinguir planetas de estrelas.

Em resumo, a eclíptica une a órbita da Terra, as estações, os eclipses e o movimento dos planetas em uma imagem coerente do céu.

Perguntas e respostas

O que é a eclíptica, em termos simples?

É o caminho aparente do Sol pelo céu ao longo de um ano. Na verdade, é o plano da órbita da Terra projetado na esfera celeste.

Por que os planetas ficam perto da eclíptica?

Eles se formaram a partir de um disco plano de gás e poeira em torno do Sol, por isso suas órbitas ficam próximas de um plano comum.

Qual é a inclinação da eclíptica?

Ela é inclinada cerca de 23,4 graus em relação ao equador celeste, o mesmo ângulo da inclinação do eixo da Terra em relação à sua órbita.

Por quantas constelações a eclíptica passa?

Pelos limites das constelações definidos pela UAI, a eclíptica atravessa 13 constelações, incluindo Ofiúco, e não apenas 12.

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Fontes

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