O céu — astronomia
Netuno: o planeta encontrado pela matemática
Netuno é o oitavo e mais distante planeta do Sol, e o primeiro a ser encontrado graças a uma previsão matemática. Em 1846, Urbain Le Verrier calculou onde ele deveria estar, e Johann Galle o avistou no céu. A Voyager 2, em 1989, continua sendo a única sonda a visitá-lo.
Uma previsão antes da observação
Netuno é um caso raro na história da astronomia: o planeta foi localizado no papel antes de ser visto em um telescópio. Depois da descoberta de Urano em 1781, os astrônomos acompanharam sua órbita e notaram que ele não se movia exatamente como previa a lei da gravitação de Newton. Talvez outro planeta, ainda desconhecido, estivesse exercendo atração sobre ele.
O matemático francês Urbain Le Verrier e o britânico John Couch Adams trabalharam no problema de forma independente. Cada um calculou onde esse planeta deveria estar para explicar as discrepâncias. Le Verrier enviou sua previsão ao Observatório de Berlim. Na noite de 23 de setembro de 1846, Johann Galle, auxiliado por Heinrich d'Arrest, apontou um telescópio para o local indicado e encontrou um objeto que não constava nas cartas estelares. Ele estava a cerca de um grau da posição prevista. Historiadores costumam chamar isso de triunfo da mecânica celeste, o ramo da física que calcula como os corpos se movem sob a ação da gravidade.
Seguiu-se uma disputa de prioridade entre França e Grã-Bretanha. Hoje, os dois calculistas recebem crédito.
Que tipo de planeta é
Netuno é um gigante de gelo, como Urano. Ele orbita a cerca de 30 unidades astronômicas do Sol (uma unidade astronômica é a distância média entre a Terra e o Sol), aproximadamente 4,5 bilhões de quilômetros. Uma volta em torno do Sol leva cerca de 165 anos terrestres, e em 2011 Netuno completou sua primeira órbita inteira desde a descoberta.
O diâmetro de Netuno é cerca de quatro vezes o da Terra, e sua massa é cerca de 17 vezes maior. Um dia lá dura cerca de 16 horas. O planeta é invisível a olho nu; você precisa de binóculos ou telescópio e, mesmo assim, ele aparece como um minúsculo ponto azulado. Para dicas de como começar, veja como observar o céu.
Atmosfera e ventos
A atmosfera de Netuno é composta principalmente de hidrogênio e hélio, com um pouco de metano. O metano absorve a luz vermelha, e é por isso que o planeta parece azul. As temperaturas no topo das nuvens ficam em torno de −200 °C.
Netuno tem os ventos mais rápidos já medidos no Sistema Solar: segundo a NASA, eles ultrapassam 2.000 quilômetros por hora. Isso surpreende, porque o planeta recebe muito pouca luz solar. Os cientistas ainda estudam o que alimenta essas tempestades.
Em 1989, a Voyager 2 fotografou uma enorme tempestade escura chamada Grande Mancha Escura, um imenso anticiclone. Quando o Telescópio Espacial Hubble observou o planeta em 1994, essa mancha havia desaparecido, mostrando como a atmosfera de Netuno pode mudar rapidamente.
O planeta também tem um sistema de anéis finos e tênues. Os cinco principais se chamam Galle, Le Verrier, Lassell, Arago e Adams.
Tritão
Netuno tem 16 luas conhecidas. A maior é Tritão, descoberta pelo astrônomo britânico William Lassell poucas semanas depois do próprio planeta. Ela tem cerca de 2.700 quilômetros de diâmetro.
Tritão orbita Netuno no sentido contrário ao da rotação do planeta, ou seja, em órbita retrógrada. A principal explicação científica é que Tritão foi capturada pela gravidade de Netuno depois de se originar no cinturão de Kuiper, a região de corpos gelados além da órbita de Netuno. Se for assim, Tritão provavelmente é uma parente de Plutão em termos de origem.
A superfície de Tritão é extremamente fria, cerca de −235 °C, e coberta principalmente de gelo de nitrogênio. A Voyager 2 viu faixas escuras que são vestígios de plumas (gêiseres) de gás nitrogênio e poeira. É um dos pouquíssimos lugares do Sistema Solar onde se conhece esse tipo de atividade em um corpo tão frio.
A visita da Voyager 2
A Voyager 2 foi lançada em 1977 e continua sendo a única sonda a passar por Netuno. Sua máxima aproximação ocorreu em 25 de agosto de 1989, a alguns milhares de quilômetros acima do topo das nuvens, perto do polo norte. Ela enviou imagens de tempestades, anéis e de Tritão, e descobriu várias pequenas luas novas. Boa parte do que sabemos sobre Netuno vem desses poucos dias.
Desde então, o planeta tem sido estudado a partir da Terra com telescópios potentes, como o Hubble e grandes observatórios em solo. Nenhuma missão nova dedicada a Netuno voou até agora.
Netuno na cultura
Este artigo trata Netuno como um objeto astronômico. Para saber como ele é interpretado na tradição simbólica da astrologia, veja Netuno na astrologia. Trata-se de uma tradição cultural, não de um fato científico.
Perguntas e respostas
Como Netuno foi descoberto?
Netuno foi encontrado em 1846, depois que Urbain Le Verrier calculou onde deveria estar um planeta desconhecido que perturbava a órbita de Urano. Johann Galle o localizou no Observatório de Berlim na noite de 23 de setembro de 1846. John Couch Adams havia feito cálculos semelhantes de forma independente.
Qual é a velocidade dos ventos em Netuno?
Segundo a NASA, os ventos de Netuno ultrapassam 2.000 quilômetros por hora, os mais rápidos já medidos no Sistema Solar.
Por que Netuno é azul?
Sua atmosfera contém metano, que absorve a luz vermelha. A luz refletida é principalmente azul, por isso o planeta parece azulado.
O que é Tritão?
Tritão é a maior lua de Netuno, com cerca de 2.700 quilômetros de diâmetro. Ela orbita no sentido contrário à rotação do planeta e provavelmente foi capturada do cinturão de Kuiper. A Voyager 2 detectou sinais de plumas de nitrogênio em sua superfície.
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